Pensamento negativos, por que eles surgem?
- Elaine Pereira
- 10 de jan.
- 3 min de leitura
Você já percebeu como, muitas vezes, a mente parece funcionar no “modo automático” e tende a puxar para o lado negativo? Um comentário no trabalho vira “não sou bom o suficiente”, um atraso de resposta no WhatsApp vira “estão me ignorando”, um erro pequeno vira “sempre faço tudo errado”.
Esses pensamentos surgem rapidamente, sem que a gente perceba, e acabam influenciando diretamente nossas emoções e comportamentos. Mas por que isso acontece?

Os pensamentos não surgem do nada
Na Psicologia Cognitiva, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entende-se que os pensamentos negativos são resultado da forma como aprendemos a interpretar o mundo ao longo da vida.
Aaron Beck, criador da Terapia Cognitiva, explicou que todos nós desenvolvemos padrões de pensamento baseados em experiências passadas, aprendizados familiares, vivências emocionais e situações marcantes. Esses padrões funcionam como “lentes” através das quais interpretamos o que acontece à nossa volta.
Por exemplo: Se uma pessoa cresceu ouvindo críticas constantes, é comum que, na vida adulta, interprete situações neutras como prova de inadequação, mesmo quando não há intenção negativa.
Pensamentos automáticos: rápidos e silenciosos
Na TCC, chamamos esses pensamentos de pensamentos automáticos. Eles surgem de forma rápida, espontânea e, muitas vezes, passam despercebidos.
Imagine a seguinte situação: Você envia uma mensagem e não recebe resposta. O pensamento automático pode ser: “Falei algo errado” ou “Não sou importante”. A emoção que vem em seguida pode ser ansiedade, tristeza ou insegurança. O comportamento pode ser se afastar, insistir excessivamente ou ruminar a situação.
Perceba que não foi o fato em si que gerou o sofrimento, mas a interpretação feita pela mente. Essa ideia é central na TCC e também foi destacada por Albert Ellis, outro importante teórico cognitivo, ao afirmar que não são os acontecimentos que nos afetam, mas a forma como os interpretamos.
Por que a mente tende ao negativo?
Do ponto de vista psicológico e evolutivo, o cérebro humano foi treinado para identificar ameaças. Pensar no pior cenário, antecipar problemas e evitar riscos ajudou nossos ancestrais a sobreviver. O problema é que, hoje, esse mesmo mecanismo pode se tornar excessivo e gerar sofrimento emocional.
Quando esses pensamentos negativos se tornam frequentes, rígidos e automáticos, eles podem contribuir para quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades nos relacionamentos.
É possível mudar a forma de pensar?
Sim. E esse é um dos principais objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental.
Na psicoterapia, a pessoa aprende a identificar esses pensamentos, questioná-los e construir interpretações mais realistas e funcionais. O foco não é “pensar positivo o tempo todo”, mas desenvolver uma forma de pensar mais equilibrada, baseada em evidências e não apenas em suposições ou medos.
Judith Beck, uma das principais referências atuais da TCC, destaca que, ao aprender a reconhecer seus próprios padrões de pensamento, o paciente se torna mais consciente e mais capaz de lidar com situações difíceis de forma saudável.
Um convite à reflexão
Da próxima vez que um pensamento negativo surgir, tente se perguntar: “Isso é um fato ou uma interpretação?” “Que outra forma de ver essa situação seria possível?”
Esse simples exercício já é um primeiro passo para criar mais consciência emocional.
Se você percebe que pensamentos negativos estão frequentes, intensos ou impactando sua qualidade de vida, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para compreender esses padrões e desenvolver novas formas de lidar com eles.
✨ Quer continuar refletindo sobre saúde emocional?
Neste blog, compartilho conteúdos baseados na Psicologia e na Terapia Cognitivo-Comportamental, com uma linguagem acessível e embasamento científico, para ajudar você a compreender melhor seus pensamentos, emoções e comportamentos no dia a dia.
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